Diabetes: a Peste Negra do Século XXI

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O diabetes é uma epidemia de proporções globais, sem sinal de diminuição de sua incidência e prevalência, que assume o posto de oitava doença que mais mata no mundo.

Alguns autores chegam a chamá-la de “doença infecciosa“ e até a apelidaram de Peste Negra do século XXI. Hipérboles a parte, o aumento de sua incidência para mais de 6% dos jovens e adolescentes, torna o cenário bastante preocupante.

O Diabetes mellitus representa um grupo de doenças metabólicas, caracterizado por hiperglicemia (alta concentração de açúcar no sangue), que resulta de uma secreção deficiente de insulina pelo pâncreas, resistência periférica à ação da insulina ou ambas.
Os dois principais tipos são:

  • Diabetes tipo 2, que responde por 85% a 90% dos casos, e que normalmente vem associado à outras doenças metabólicas, como a obesidade e a hipertensão.
  • Diabetes tipo 1, que representa 5 a 10%, em geral acomete crianças e adultos jovens, e a causa da doença é autoimune.

Além destes tipos, existe a diabetes gestacional, que aflinge cerca de 7,6% das gestantes brasileiras.

A doença, quando não tratada, traz inúmeras complicações a médio e longo prazo. Algumas das consequências deste desbalanço metabólico são: perda de visão, insuficiência renal em fase terminal, amputação não traumática de membros inferiores, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico. Também há redução na expectativa de vida, e a mortalidade é de duas a três vezes maior do que nos não diabéticos.

A Federação Internacional de Diabetes (IDF) avalia que, com o aumento do sedentarismo, obesidade e envelhecimento da população, o número de pessoas com diabetes no mundo vai aumentar em proporções epidêmicas. Hoje estima-se que existam 285 milhões de diabéticos e esse número passará de 440 milhões nos próximos 15 anos.

No Brasil, o Diabetes acomete, na média, 5,6% da população, mais de 11 milhões de pessoas. Como a prevalência aumenta com a idade, chega até a um em cada 5 pessoas com mais de 65 anos.

Durante o curso de Especialização em Endocrinologia do Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, analisei e comparei os dados de três edições da Campanha Nacional do Diabetes, que ocorre todo ano, naquela capital.

Nas edições de 2006, 2009 e 2012, minha análise revelou que o controle da doença já estava inadequado em 2006, e continuou assim nos anos seguintes.

Tendo participado das duas últimas Campanhas, em 2012 e 2013, com mais de 7.000 participantes, ficou caracterizado o amplo desconhecimento da população com relação à doença, com cerca de 50% dos pacientes estando com o controle inadequado.

Quanto ao diagnóstico, muitos nem sabiam que eram diabéticos, e as publicações corroboram afirmando que cerca de 50% dos portadores de algum tipo de diabetes, desconhecem seu diagnóstico, já que a doença, em seu início, é praticamente assintomática.

Ainda que o diagnóstico da diabetes seja confirmado através de exames muito simples, o atraso em identificar a presença da condição é de espantosos 4 a 7 anos. Infelizmente, com esta demora, complicações macro e microvasculares podem já estar ocorrendo quando do diagnóstico.

Entendendo que o diabetes leva a complicações trágicas, existe a necessidade de que o diagnóstico seja realizado precocemente, e que seja realizado o tratamento adequado, na tentativa de mitigar os problemas secundários da doença.

E você, já testou sua glicemia? É hora de visitar um endocrinologista e se precaver.

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